Completando 46 anos de seu lançamento, essa obra mantém-se como um dos filmes mais repulsivos da história, devido a representação de uma narrativa pútrida, com muito sangue e mutilação, baseada nas turvas ideias do serial killer Edward Gein. Um verdadeiro show de depravação dirigido pelo grande mestre Tobe Hooper.

Tobe Hooper foi um dos maiores diretores de terror de todos os tempos, sendo o The Texas Chain Saw Massacre um de seus principais filmes, bem como foi pioneiro do gênero slasher, que repercutiu de maneira crítica em todo o mundo devido às cenas de violência extrema. Ele foi diretor também de outros clássicos, como: Eaten live (1977), Pague para Entrar, Reze para Sair (1981), Poltergeist – O Fenômeno (1982), responsáveis por ascenderem o cinema com suas excentricidades horrendas. Em The Texas Chain Saw Massacre, observamos uma sequência de mortes rápidas, as cenas são filmadas em ângulos distintos e próximos, com leves movimentos, impondo uma atmosfera mais brutal e documental ao filme, algo fora dos padrões da época. É visível o baixo orçamento para as gravações, além de outros pormenores, como as temperaturas escaldantes do Texas e ferimentos reais que ocorreram no set. O longa-metragem mostra sua crueza de forma escancarada, enfatizando com imenso detalhamento as cenas mais gore. A família Hewitt é praticante de canibalismo e vivem isolados no deserto do Texas, próximo a um antigo matadouro. A retratação de canibalismo foi vista como uma forma de incentivo à prática, mesmo que a antropofagia exista desde os meados das primeiras existências.

Como personagem principal o maníaco Leatherface, que nos traduz o conceito de aberração mental, sendo possível deliciar-se ao fechar os olhos e imaginar sua fisionomia grotesca, com suas máscaras produzidas com a pele humana de suas vítimas. Aliás, no filme é possível identificar a utilização de três máscaras: há a máscara de matar que ele usa durante a maior parte do filme, a máscara de “vovó” que ele usa enquanto prepara o jantar, e a máscara coberta de maquiagem que ele usa para sentar-se para jantar, na cena em que Sally (Marilyn Burns) é aterrorizada por Leatherface e sua família, esta, que tornou-se um marco no cinema de horror. Cinéfilo ou não todo mundo conhece essa cena!

Ainda conforme Hooper, e o próprio intérprete (Gunnar Hansen), o intuito da alternação das máscaras era captar a essência do personagem e seus respectivos humores, sendo a única forma dele expressar-se.
Não esquecemos também de seus utensílios mortuários: a motosserra, a marreta e o gancho de carne, tudo isso engloba ao personagem uma identidade única e macabra.
[Imagine você, procurando um lugar para nadar, e eis que emerge do nada um cara enorme, atrapalhadamente rápido, com uma motosserra barulhenta ou marreta, querendo te matar… Bons sonhos leitores insanos…]

 

Gunnar Hansen chegou a visitar manicômios a fim de estudar o comportamento de pessoas que sofrem de enfermidades mentais para construir uma identidade fiel como Leatherface. Quando Hooper comentou que sua ideia era de que o personagem “guinchasse como um porco”, Gunnar procurou um amigo que residia no interior, a ideia dele foi observar como funcionava o abate de porcos, para dar ao personagem toda a excentricidade doentia que esperavam.

Hooper baseou-se em Edward Gein, assassino em série que exumava túmulos de mulheres e apanhava partes dos cadáveres como lembrança. Ele os moldava utilizando-os como utensílios domésticos ou até mesmo como vestimentas (há na produção do filme, muitos itens que remetem à essa ideia). As façanhas brutais de Gein incorporaram ao personagem e a todo o contexto do filme uma imagem mais próxima da realidade.

O filme representa um marco ao gênero que procura expor a temática terror de forma feia e pesada (O que é lindo). Censurado em diversos países e muito criticado pela mídia em decorrência de sua produção suja, os próprios diretores Hooper e Daniel Pearl, temiam que o filme fosse um fracasso.

Ao meu ver, é um puta filme, doente e recheado de podridão, que jamais sairá do topo dos melhores.